Impulsionado pela popularidade de modalidades como musculação, corrida, yoga e outras práticas esportivas, o consumo de suplementos tem crescido cada vez mais no Brasil. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) sobre o segmento de alimentos destinados a fins especiais destacaram um avanço expressivo do setor em 2024. O consumo de vitaminas, por exemplo, aumentou 9,3% entre janeiro e dezembro em relação a 2023.
Esse movimento também está ligado às redes sociais, onde influenciadores frequentemente indicam cápsulas que prometem melhorar a saúde, o desempenho e a recuperação muscular. Mas, com a expansão desse consumo, surgem os alertas. A nutricionista Ana Paula Goulart destaca a necessidade de a suplementação ser avaliada individualmente por um nutricionista ou médico, considerando exames, histórico clínico, sinais e sintomas, rotina alimentar e objetivos pessoais.
“Quem realmente precisa são aqueles que apresentam carências nutricionais, ou têm maior demanda de nutrientes em determinadas fases da vida (como gestantes, por exemplo), pessoas com restrições alimentares (como vegetarianos, veganos ou dietas que retiram grupos alimentares), além de atletas e praticantes de atividade física intensa, que podem precisar de um suporte extra para desempenho e recuperação”, explica.
Existe limite para o consumo?
De acordo com Ana Paula Goulart, não há um número fixo de suplementos que uma pessoa possa consumir ao mesmo tempo. A nutricionista aponta que o mais importante é a necessidade individual e a segurança na combinação.
“Em alguns casos, apenas um suplemento já é suficiente; em outros, pode ser necessário associar diferentes nutrientes. O importante é que a prescrição seja feita por um profissional competente e habilitado, para evitar exageros, sobreposições ou interações indesejadas entre os compostos. Se houver a possibilidade de manipular os suplementos, fica mais vantajoso, já que dessa forma há personalização.”, destaca.
Rosana Amorim, farmacêutica e gerente técnica da Singular Pharma, explica que fórmulas manipuladas são personalizadas, isto é, possuem as quantidades específicas para o paciente seguir um tratamento.
“As dosagens individualizadas são avaliadas conforme a necessidade e restrições de cada paciente, além de o atendimento ser feito apenas sob prescrição, garantindo que não haja os desperdícios de uma produção em grande escala. É possível realizar a adequação farmacêutica ideal para cada uso e indicação, seja na dosagem ou na forma farmacêutica”, esclarece.
Misturar suplementos: ajuda ou atrapalha?
Rosana Amorim esclarece que é possível combinar a suplementação e reforça que a associação de suplementos potencializa os benefícios, criando uma ação sinérgica. “As fórmulas manipuladas auxiliam e possibilitam que estas substâncias sejam combinadas em um único sachê ou cápsula, o que facilita a adesão do paciente ao uso e à prescrição exata”.
A farmacêutica ainda reforça a importância da avaliação de um profissional para a necessidade real de cada pessoa e destaca a necessidade de o preparo desses suplementos ser feito em farmácias que trabalham com insumos de fornecedores qualificados.
Os ativos mais comuns
Para aqueles que praticam diferentes modalidades esportivas, Rosana Amorim destaca que, dentre os ativos mais comuns prescritos, estão: creatina, Clonapure, BCAA, glutamina, whey protein, cafeína, HMB, nitratos, vitaminas, ômega 3, Peptistrong, Cindura, coenzima Q10, magnésio, S7, Actione, Senactiv, entre outros.
Ana Paula Goulart reforça que esses suplementos devem ser vistos como um recurso complementar, que deve estar inserido dentro de uma dieta saudável, rica em alimentos variados e de qualidade. “Cada organismo é único, e por isso a suplementação deve ser personalizada, respeitando a rotina, os objetivos e as necessidades de cada pessoa. Quando bem indicado, pode fazer diferença não apenas na saúde e na performance, mas também na qualidade de vida”, finaliza a nutricionista.