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CULTURA E ARTE - 19/07/2020

Amor Roxo

Amor Roxo
Amor roxo, cor de rosa, amarelo. Tem amor de todas as cores e tem aquele que consegue reunir todas elas de uma  só vez: verdadeira policromia. Foi isso que aconteceu com o galante Sílvio Rafael que além de nome de galã de novela antiga era uma verdadeira raposa quando se tratava de “apanhar” uma mulher. E naquela pequena vila da região de Itaberaba, onde foi com um amigo, como ele é representante de um laboratório, Rafael ficou parado ao ver aquela garota linda “coisa de cinema” que entrou no armarinho vizinho a farmácia onde ele estava. Passou as mãos pelos cabelos pretos e ligeiramente ondulados e fingindo-se distraído saiu da farmácia no momento em que ela passa pela frente quase provocando uma “colisão” dolosa embora jurasse que era culposa (sem intenção).


“Desculpe senhorita, foi a pressa”, eximiu-se. E ela pressurosa “tudo bem está desculpado”. Foi o ponta pé inicial, o suficiente para o malandro abrir caminho e passar a frequentar a vila com uma assiduidade que não era necessária na sua atividade. Todo mês ele estava lá. Depois de 15 em 15 dias, até encurtar as visitas para uma vez por semana. O povo do interior não é bobo e logo surgiram os comentários. Apaixonado Rafael resolveu que ia fincar raízes ali e tomou coragem. Seu Pedrosa, pai da moçoila, já estava ouvindo um zum-zum-zum e não escondeu sua satisfação. O moço da capital tinha boas intenções, calculou, e abriu as portas de sua casa para ele.
Na verdade, talvez Sílvio Rafael estivesse interessado em dar mais um dos seus golpes amorosos, mas se amarrou mesmo em Adriana. Bela como uma flor e, sobretudo, invicta já que bola não entrava no gol. Nem pensar de longe. E isso o deixava doido. O negócio foi noivar, para a alegria de seu Pedrosa e dona Marieta e pedir para marcar logo o casamento. A fruta tem o tempo certo, mas quando a vontade de comer é demais, o negócio é tentar amadurecer de alguma forma. E em pouco tempo o casório foi marcado e concretizado com o padre Miguel declarando-os “marido e mulher”.
Muita alegria, parabéns e cada um retornando para a sua casa porque a vida continua. “Sortuda. Ele é um gato” diz uma amiga de Adriana. “Eu queria estar lá” dizia outra mais afoita. Mas nem tudo que reluz é ouro, e cinco dias depois, de olho vermelho e voz embargada, Rafael procura um amigo íntimo e relata a situação. “Tô ficando doido, até agora não concretizei o casamento” e ante o espanto do amigo explicou que a fruta cheirosa e cobiçada continuava amadurecendo sem que ele pudesse colocar a mão no galho. A situação persistiu e duas semanas depois  ele retornou ao amigo que aconselhou  “se fosse você procuraria um advogado e anulava o casamento. Não seja bobo!”
Surpresa para a família que não sabia de nada, um constrangimento grande, mas foi marcada uma audiência e o juiz veio da cidade de Itaberaba para resolver o caso. Sessão aberta o magistrado, homem maduro e conhecido pela sua severidade, chamou as partes e observou: “Vocês namoraram, noivaram e casaram na igreja, com as bençãos do padre Miguel. São jovens, saudáveis, o que está acontecendo? Diga minha Senhora!” Adriana teve uma violenta crise de choro desesperado. O juiz paciente permitiu que ela saísse um pouco da sala para se recompor.
De volta à sala o juiz reiniciou os trabalhos e o advogado de Rafael disse que o problema era com ela. O juiz então se dirige a jovem e questiona: “A senhora pode me explicar por que não se submeteu ao sacrifício do casamento?” Nova crise de soluços e um quase desmaio. Já um tanto contrariado o juiz permite que a jovem saia da sala e no retorno dela, já demonstrando que não estava gostando da coisa, o magistrado, voz alta, de forma incisiva não perdeu tempo: “Diga senhora o que está acontecendo. Por que a senhora não se submeteu ao sacrifício do casamento?”  Sem outra saída foi direta. “Doutor eu vou falar, mas o senhor me ajuda?” E diante da resposta positiva do juiz ela falou:
“Doutor o seguinte é esse: Eu entro no quarto ele está lá, na cama, deitado, com um negócio enorme, balançando e dizendo: “Venha minha filha”! Eu saio, quando volto, ele está lá deitado com aquela coisa enorme me chamando “venha, venha minha filha”! Fale a verdade doutor, seja sincero, se fosse com o senhor, o senhor ia?” Rápido para o seu corpanzil e com o rosto vermelho o juiz deu um salto da cadeira e esbravejou: “Não, minha senhora, de jeito nenhum, eu não ia!” E incontinente sentenciou: “Casamento anulado, sessão encerrada”! E saiu batendo a porta da sala com estrondo!
Zadir Marques Porto
Sempre Livre/Cristovam Aguiar

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