João Carlos Mansur, fundador e presidente do conselho de administração da Reag Investimentos, empresa que foi alvo de mandado de busca e apreensão em investigação sobre atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) na cadeia produtiva de combustíveis e no setor financeiro nesta quinta-feira (28), é um conselheiro de destaque do Palmeiras há anos.
Segundo pessoas que o conhecem do clube, ele nutre o sonho de um dia se tornar presidente do Palmeiras e é visto por muitos como um candidato promissor. Em seu perfil nas redes sociais, exclusivo para amigos, a foto de destaque é de suas costas com a camisa da agremiação. Ele também estabeleceu que a identidade visual da Reag seja predominantemente alviverde.
Mansur foi eleito em abril para compor o Conselho de Orientação e Fiscalização, um dos órgãos mais importantes do clube. Ele foi o mais votado, com 168 apoios.
Em novembro do ano passado, ele anunciou uma parceria da Reag com o zagueiro Vitor Reis, revelação do Palmeiras que hoje atua no Manchester City. A ideia da empresa era explorar a imagem do atleta em ações de divulgação.
Também no ano passado, o jornal O Globo noticiou que a Reag participava de uma tentativa de compra da dívida da WTorre com o Banco do Brasil para assumir a administração do estádio Allianz Parque.
Em 2009, Mansur foi alvo do próprio Conselho de Orientação e Fiscalização do qual é membro hoje em dia. Na ocasião, o então presidente do clube Luiz Gonzaga Belluzzo pediu que o órgão apurasse um contrato segundo o qual Mansur receberia valores mensais para prestar consultoria às obras de transformação do Parque Antarctica em Allianz Parque. No total, segundo estimado à época, ele receberia R$ 2,4 milhões.
Ao saber do acordo, Belluzzo disse que não havia assinado o contrato e pediu investigação interna.
A gestora de Mansur também administra a Arena Fundo de Investimento Imobiliário, fundo do qual faz parte a Neo Química Arena, estádio do Corinthians, rival histórico do Palmeiras.
Mansur também ocupa a posição de presidente do conselho de administração da Revee, listada na B3 desde abril e que não foi citada nas operações de quinta-feira (28).
Ao lado de XP Investimentos e Tauá Futebol, a empresa faz parte da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) da Portuguesa, que promete reformar o clube social e o estádio do Canindé. Luis Davantel, CEO da Reeve, disse em entrevista ao jornal Valor Econômico que planeja investir R$ 1 bilhão no projeto.
Em nota sobre as operações desta quinta, a Reag disse que está colaborando com a investigação. As ações da empresa chegaram a cair 22,87% na Bolsa em virtude da ação da PF, mas se recuperaram parcialmente e fecharam o pregão em baixa de 15,69%.
A empresa também disse que diversos fundos de investimentos mencionados na operação nunca estiveram sob sua administração ou gestão.
"Quanto aos fundos de investimento apurados em que a empresa atuou como prestadora de serviço, informa que agiu de forma regular e diligente. Cumpre registrar que tais fundos foram, há meses, objeto de renúncia ou liquidação. Reforça, ainda, que não possui nem nunca possuiu qualquer envolvimento com as atividades econômicas ou empresariais conduzidas por esses clientes", disse a companhia em nota.