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09/07/2010 11:23 - por: Maura Sérgia

Zadir Marques Porto. Jornalista, poeta, cantor e... vaqueiro

Zadir não é afeito a festas e badalações. Mas, sua companhia é certeza de boa conversa.

         É inegável o talento de Zadir Marques Porto para o jornalismo. Ele começou nos anos 60 como correspondente do Jornal A Tarde, do qual foi repórter da sucursal feirense por muitos anos. Mas o seu xodó mesmo é a Folha do Norte, centenário semanário feirense do qual ele é repórter e editor. Zadir trabalhou também na Rádio Carioca e ainda trabalha na rádio Sociedade de Feira de Santana.

         Como o próprio nome indica, ele é descendente de árabes e portugueses. Segundo ele mesmo, é adepto de Alah. Mas Zadir é um homem multifacetado. Além de excelente jornalista, toca violão, canta, compõe e escreve livros de cordel. Já lançou diversos CDs e publicou diversos livros. Dono de um caráter firme e de uma sinceridade resistente a toda prova, Zadir é querido pelos colegas e amigos. Por traz do semblante sério, quem o conhece sabe que ali existe uma alma boa, alegre, brincalhona e amiga, que trata a todo por igual. Uma alma de menino, homem, poeta e vaqueiro.

O CD “A luz do forró, de Hugo Luna, traz na primeira faixa, “Peraltice”, uma composição de Zadir que revela sua alma de menino. “Água de chuva/banho de bica/bola de gude/cavalo de pau. Saltar macaco, amarelinha/fruta madura, saborosa, no quintal. Hoje é domingo/pede cachimbo/o sino toca todo mundo vai rezar. Segunda-feira, dia de escola/para o futuro gente tem que estudar. O tempo passa, a vida gira/vem a lembrança de quando eu era menino/onde é infância hoje é distancia/é na saudade que se vence os desafios”.

Entre os CDs gravados por Zadir estão “Eu amo Essa Saudade”, (2007), “Anônimo” (2008) e “Novas Canções” (2009), todos trazendo sambas, boleros e merengues, entre outros ritmos. No CD Novas Canções, o espírito do vaqueiro se manifesta na faixa 12 “Estrada Velha”. “Estrada velha, porteira nova/boiada pasta, capim renova. Já foi peão, patrão, vaqueiro/fui bom de laço, velho berranteiro. Gostei da rosa, tive um jardim/doce perfume só para mim. Ela se foi, fiquei sozinho/velho, cansado, caminhando sobre espinho. Hoje sem forças para lutar/quero meu pinho para cantar. Na minha paz eu desencanto/corri atrás, sofri demais, quero descanso”.

“Eu trabalho na imprensa, mas entrei na profissão errada. Meu espírito é de vaqueiro. Fui criado em fazenda, na região de Santo Amaro. Gosto do campo, da roça. Gosto de capinar, montar a cavalo, correr atrás dos animais, ver os peixes pulando no rio, arrancando frutas com arco e flexa. Meu sonho mesmo é estar no meio do mato, mas quando não se tem o que quer, tem que se gostar do que se tem. O contato com a natureza é a coisa mais linda que existe”, diz Zadir.

 

Cordel

Entre os cordéis já publicados por Zadir está “A história do Elefante Tel (que queria ser piloto de avião) e do Papagaio Luis (que queria ser deputado)”. “Palavra” é outro livro onde o poeta disserta sobre o poder da palavra. “A palavra tem poder/e tudo pode mudar/veloz como o vento/profunda como o mar/a palavra cria ódio/e amor pode gerar.

Pensa antes de falar/evite exclamação/meça bem as palavras/não use a emoção/depois não adianta/dar uma explicação”.

Em outro trecho do livro ele revela um pouco do seu caráter: “Dizia uma abelha/dentro do matagal/eu gosto de trabalhar/o trabalho não faz mal/por isso é que fico/flor em flor o dia inteiro/trabalho porque gosto/e não pelo dinheiro.../mas não paro um só dia/e assim eu sou feliz/e na conversa alheia/não meto meu nariz/pra mim pato é pato/perdiz sempre é perdiz”.

Já no livro “O Valentão” ele conta a história de Pedrão, um homem rude, embrutecido pela dor da perda de um grande amor. Em “Boi Valente” o espírito de vaqueiro novamente se manifesta, contando a história do um boi nelore cuja fama de valente correu o mundo.

De caráter reservado, Zadir não é afeito a festas e badalações. Como ele afirma, é no recesso do lar ou no campo que ele se sente feliz. No ano passado o Sindicato dos Radialistas de Feira de Feira de Santana quis homenageá-lo com uma placa, durante a realização do Forró do Amendoim, tradicional evento que reúne a categoria. Mas, Zadir lá não foi.

Todos que o conhecem e sabem que vale a pena ser colega e amigo de Zadir. Estar em sua companhia é certeza de boa conversa e diversão. Embora ele sempre se esquive de convites para reuniões sociais.

 

PS.: Zadir Porto só tomará conhecimento desta matéria depois de publicada no Jornal NoiteDia.

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