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CIDADANIA - 12/08/2017

Pra onde você acha que vai o plástico do mundo?

Pra onde você acha que vai o plástico do mundo?

Uma das mudanças mais profundas que venho tentando fazer nas minhas práticas rotineiras é reformular a relação que tenho com o mundo - minha participação por aqui, o equilíbrio entre a importância e a irrelevância: nem tão desperezível nem super necessária, mas parte de um todo que existe e fim. Com toda a crendice que me é peculiar, confesso, fazer estas movimentações tem demandado energias que são recrutadas em outras esferas, como a profissional, por exemplo. Lidar com a ansiedade em meio a um turbilhão contextual - econômico, social, político - nadando contra a maré da violência externa para promover paz interna, ufa, tem cansado. 

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Daí que acho que já citei por aqui sobre a preocupação com o lixo que produzimos, porque não existe lá fora e, também acho que já comentado pro aqui, ando me atentando muito sobre a Fe Canna, uma moça jornalista que pe sa e faz muito em relação a isso tudo, indo desde atividades rotineiras até a beleza, esse mercado onde o descratável é quase premissa hoje em dia e, como magia, dou de cara com a newsletter dela deste mês que fala sobre o "Julho sem Plástico", um movimento global que tem pouca força aqui no Brasil mas que eu adoraria promover. Não participei ativamente mas, de qualquer forma, postar e compartilhar há de ser uma forma de expandir a atividade, ainda que em minúscula escala. 

Registro aqui o conteúdo do informe dela e, claro, deixo o endereço abaixo para quem desejar se inscrever e receber coisa boa por email: 

Hoje eu moro perto do mar. Tenho uma proximidade com a natureza, com o oceano, com as aves e outros animais desse habitat que eu não poderia imaginar vivendo em São Paulo. Dia após dia, posso ver o lixo se misturando com a água, com a matéria orgânica, posso ver as gaivotas devorando sacos plásticos. Não quero te incomodar com números ou imagens terríveis, mas conviver com isso me trouxe um grande incômodo. 

Cada vez mais a gente vai ter que se relacionar com o lixo que a gente gera. Já não tem mais espaço no mundo pra que ele fique longe dos nossos olhos. Transformamos nossa casa em uma enorme lixeira e as consequências causam desconforto em todos os aspectos (social, ambiental e econômico). E o plástico é um dos piores tipos de lixo, é um material durável que utilizamos muitas vezes para fazer produtos descartáveis.

Quando a gente olha por aí, tudo parece ser feito de plástico. E não sei se você sabe, mas esse tipo de material não se degrada como os materiais orgânicos, ele permanece no mundo - flutuando nos oceanos ou suspensos na atmosfera em micro pedaços. Provavelmente, todo plástico já produzido continua aqui com a gente. E uma vez que já sabemos disso, é difícil continuar fazendo as coisas do mesmo jeito.

A ideia de reduzir a produção de lixo é fascinante pra mim e eu venho trabalhando ativamente pra diminuir meu rastro no mundo. Então quando fiquei sabendo da campanhaPlastic Free July (ou julho sem plástico, na tradução) achei que seria útil fazer o experimento, com a intenção de fazer alguns esforços extras e ainda falar mais sobre o assunto, encorajar quem está por perto. Mostrar que a dimensão do problema não deve nos paralisar. Fui documentando algumas ações desse mês lá no meu instagram; se você não viu, segue esse link.

Abracei o desafio recusando canudos, copos e talheres de plástico, saquinhos plásticos, produtos embalados e todo resto de materiais plásticos de uso único. Afinal, pra quê comprar água engarrafada se a da torneira também é potável e mais barata? Pra quê usar plástico bolha na mudança se podemos usar nossas roupas para embrulhar tudo? É muita energia e matéria-prima desperdiçada para virar lixo. 

É claro que eu tive momentos de frustração, como quando fui em um restaurante novo e ao pedir um chá gelado recebi um canudo já enfiado no copo de vidro. Um dos desafios é estar sempre alerta para recusar aquilo que você não precisa, tentando se adiantar à ação do outro. Mesmo que você consiga fazer isso toda vez, pode se deparar com o "esquecimento" de quem está atrás do balcão, afinal, é um pedido improvável para eles.

Nesse mês, ficou ainda mais evidente para mim que o plástico está assustadoramente em todos os lugares da nossa vida. Ainda que alguns desses plásticos sejam praticamente impossíveis de tirar da rotina, eu percebi que onde a gente menos precisa dele, é onde a gente mais consome rapidamente, fazendo escolhas automáticas. É assim quando vamos tomar sorvete, quando fazemos um piquenique com os amigos, é assim com o cafezinho no trabalho. 

Me policiar para não consumir plástico também me fez perceber que às vezes é preciso ponderar as alternativas para fazer a melhor escolha. Apesar de não ser maioria, em algumas situações me deparava com dúvidas como essas: devo escolher uma comida vegana embalada em plástico ou um sanduíche de queijo sem plástico? Compro a fruta à granel que veio de outro continente ou a local e orgânica da bandeja de isopor? Não dá pra se sentir mal com a escolha feita, as respostas não são muito claras em termos ambientais e vão depender muito das nossas crenças e vivências.

O ponto aqui não é ser perfeito, porque provavelmente não vai dar pra reduzir nosso consumo de plástico a zero nem nesse mês, nem no próximo. O movimento é de mostrar que o plástico pode ser a exceção, não a regra na nossa vida. E que uma vez na nossa mão, a gente deveria se encarregar da destinação correta desse material, em vez de jogar na praia ou na rua, achando que assim ele vai entrar em algum buraco mágico e desaparecer, ou de acreditar que a reciclagem será suficiente para desculpar nosso consumo descontrolado.

Se você quiser saber mais motivos pelos quais a gente deveria diminuir nossa produção de plástico, procure assistir ao documentário A Plastic Ocean, disponível no Netflix. E se animar a diminuir sua dependência de plástico, minha dica é que você comece recusando o que é mais fácil pra você. Pode separar uns 10 minutinhos pra olhar pra própria lixeira e fazer uma lista do dá pra abrir mão, se for ajudar. Pensa primeiro no que exige zero esforço, e vai movimentando em direção ao que parece mais complexo, um pouquinho por vez. GGN

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